Ex-PM do Paraná vira réu por prestar serviços para chefe do tráfico no litoral

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Ex-policial é denunciado por envolvimento com tráfico O ex-policial militar Ricardo Chiarello Marchesi virou réu por associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva por crimes quando ainda estava na corporação e atuava no litoral do Paraná. A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que acusa o ex-PM de usar informações obtidas durante a atuação policial para ajudar um traficante que agia na região. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Segundo o MP-PR, em troca das informações, Ricardo recebeu vantagens de Márcio Padilha da Silva Costa, conhecido como "Bebezão" e apontado pelo Ministério Público como um dos principais comandantes do tráfico de drogas do litoral. Em nota, os advogados Cesar Augusto Durães Ribeiro e Marques Claudio Marques Rolin e Silva, responsáveis pela defesa de Ricardo Chiarello Marchesi, afirmaram que a denúncia foi recebida preliminarmente e que o resultado ainda poderá ser revertido. Disseram ainda que a inocência de Marchesi será demonstrada no processo. Leia mais a seguir. Conforme a denúncia, o ex-PM auxiliou o tráfico entre abril e agosto de 2022, em Paranaguá e Guaratuba. Na época, Ricardo estava no 9º Batalhão da Polícia Militar do Paraná e era comandante da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) de Guaratuba. Ainda segundo a denúncia, Ricardo forneceu informações sobre operações policiais, mandados de prisão e abordagens, além de fazer consultas em sistemas policiais a pedido de Márcio. Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Reprodução/RPC Réu procurou traficante por conta própria, segundo denúncia Conforme o MP, em abril de 2022, Ricardo conseguiu o telefone de "Bebezão" e entrou em contato com ele se apresentando como um "policial corrupto" que trabalhava no setor operacional do Ministério Público. De acordo com o MP-PR, o traficante ofereceu R$ 50 mil por mês para receber informações policiais que ajudassem o grupo criminoso que ele chefiava. O documento aponta que Ricardo fez uma contraproposta. Quando Márcio realizasse a próxima compra de drogas, deveria informar o endereço onde o fornecedor estaria. Ricardo faria uma apreensão e, segundo o acordo descrito pelo MP-PR, parte da droga seria devolvida a Márcio. Outra parte seria vendida ao próprio traficante, que seria alvo da abordagem. A proposta foi aceita, de acordo com a investigação. As anotações foram feitas pelo próprio Ricardo e detalham a aproximação entre os dois. Os trechos foram retirados do celular do ex-policial, apreendido durante uma operação de busca e apreensão. Em uma mensagem de 14 de agosto de 2022, Ricardo avisou Márcio sobre uma operação policial marcada para os dias seguintes e disse que os integrantes do grupo poderiam trabalhar “à vontade”. "Caminho limpo, irmãozão... Aproveita a brecha. Patrulha costeira e PF e ambiental na Ilha do Mel na quarta, quinta e sexta-feira", escreveu Ricardo. Ex-PM do Paraná vira réu por prestar serviços para chefe do tráfico no litoral Reprodução/MPPR Nos dias seguintes, segundo a denúncia, os repasses de informações continuaram. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu que o ex-PM se associou de forma permanente e estável para a prática do tráfico de drogas, prestando informações que conseguia como policial militar, enquanto o outro investigado cuidava da venda, depósito e transporte das drogas. A denúncia aponta ainda que Ricardo fazia consultas em sistemas policiais a pedido de Márcio para verificar a existência de mandados de prisão. Além da acusação de associação para o tráfico, Ricardo foi denunciado por corrupção passiva. Segundo o MP, à época dos crimes, ele aceitou uma motocicleta avaliada em R$ 57 mil como vantagem indevida em troca das informações policiais. Antes da denúncia, Ricardo também foi alvo de uma investigação que resultou na Operação Fish, deflagrada em 30 de agosto de 2022. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência dele, foram encontrados R$ 70 mil em dinheiro vivo, sem origem confirmada. O que diz a defesa? Em nota, os advogados Cesar Augusto Durães Ribeiro e Marques Claudio Marques Rolin e Silva, responsáveis pela defesa de Ricardo Chiarello Marchesi, afirmaram que a denúncia foi recebida preliminarmente e que o resultado ainda poderá ser revertido. A defesa afirma ainda que os diálogos atribuídos a Ricardo não mostram envolvimento com o crime organizado. "Retratam ações de coleta de dados de interesse da inteligência para combate a facções criminosas envolvidas no tráfico internacional, coleta de informações que ocorria com a completa e inequívoca ciência da Secretaria de Segurança Pública, Departamento de Inteligência do Estado do Paraná, Comando-Geral da PMPR, Polícia Federal e do próprio GAECO/MPPR, conforme robusta documentação reunida pela Defesa", diz a nota. Ainda conforme os advogados, os policiais passaram a figurar como investigados depois de uma suposta situação de vazamento de informações ao crime organizado. A denúncia apresentada a partir disso é classificada pela defesa como "distorção completa dos fatos". Vídeos mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/08/21/ex-pm-do-parana-reu-trafico-litoral.ghtml


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