Gleisi diz que não vê problema em impeachment de ministro do STF, se houver crime
01/09/2026
(Foto: Reprodução) Meio-Dia Paraná entrevista Gleisi Hoffmann (PT)
A candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) afirmou que é favorável à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), quando houver irregularidades que justifiquem a medida. Assista acima.
"Eu não vejo problema nenhum em fazer o impeachment e o julgamento de ministro do Supremo. Até porque isso é função do Senado. Está no nosso regimento interno que é função do Senado julgar e processar ministros do Supremo, dos tribunais superiores e o presidente da República. Então, tendo um processo instaurado, eu tenho clareza e tranquilidade para sentar, discutir e julgar. Para mim, isso não é nenhum problema, nenhum tabu. Se tiver crime, tem que ter", falou.
✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp
A declaração da candidata foi feita nesta terça-feira (1º) durante entrevista ao telejornal Meio-Dia Paraná, da RPC, afiliada da TV Globo. Ao longo da semana, o jornal entrevistará os candidatos mais bem posicionados no cenário estimulado da última pesquisa Quaest. A ordem foi definida por sorteio, realizado na presença de representantes dos candidatos. O tempo estipulado para a entrevista é de 30 minutos.
🗓️ Na quarta-feira (2), Deltan Dallagnol (Novo) será o entrevistado. Na quinta-feira (3), Filipe Barros (PL). E a série de entrevistas com os candidatos ao Senado pelo Paraná se encerra na sexta (4), com Cristina Graeml (PSD). Alexandre Curi (Republicanos) foi o primeiro entrevistado.
Durante a entrevista, Gleisi também respondeu a perguntas sobre:
Escândalos de corrupção do PT ;
Desvios no INSS;
Foro privilegiado;
Escala 6x1;
Segurança nas rodovias;
Exportações do setor agropecuário;
Combate ao feminicídio.
Gleisi, candidata ao Senado pelo Paraná
Vitória Smarci/RPC
Veja o que disse a candidata sobre cada tema
Sobre os escândalos de corrupção que envolveram integrantes do PT, Gleisi foi questionada sobre a missão de convencer o eleitor preocupado com o tema a lhe dar um voto de confiança diante do histórico do partido. A candidata respondeu que os casos foram julgados e que o partido se explicou. Ela afirmou que a confiança do eleitor foi demonstrada pelas cinco vitórias do PT para a Presidência da República.
Ainda sobre o histórico de casos de corrupção do PT, Gleisi foi questionada se o partido que ela representa não vai repetir o passado. Ela afirmou que todos os casos devem ser investigados e que, se houver comprovação de irregularidades, os envolvidos devem ser responsabilizados, independentemente de quem sejam.
Sobre as investigações envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", a candidata disse que ele também deve prestar esclarecimentos. Gleisi falou ainda sobre o caso do Banco Master, que envolve lideranças de diferentes partidos, incluindo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A candidata questionou sobre recursos recebidos por Flávio Bolsonaro (PL) para o filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.
Em relação ao escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, que provocou prejuízos bilionários aos beneficiários, Gleisi foi questionada sobre o aumento dos valores durante os primeiros anos do governo Lula e sobre a responsabilidade da gestão federal na fiscalização das irregularidades. Ela afirmou que o esquema começou durante o governo anterior e que os descontos cresceram progressivamente. Disse ainda que pessoas ligadas ao escândalo do INSS foram afastadas e investigadas durante o atual governo, destacando que o presidente Lula tomou a decisão de devolver os valores aos aposentados.
Sobre o foro privilegiado, que permite que autoridades sejam julgadas em tribunais específicos, Gleisi foi perguntada sobre uma declaração de 2017, quando se posicionou contra o foro privilegiado. Apesar disso, quando era senadora, ela recorreu ao foro no STF após uma operação cumprir mandados de busca e apreensão em seu apartamento funcional, em Brasília. A Corte anulou as provas e absolveu a então senadora. A candidata afirmou que agiu conforme estava previsto em lei, porque considerava a medida injusta. Gleisi defendeu uma mudança na legislação do foro privilegiado para que todos sejam tratados de forma igual e reafirmou que é contra o foro privilegiado.
Na discussão sobre o fim da escala 6x1, proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho, Gleisi afirmou que é favorável à medida, principalmente por causa do impacto sobre mulheres que enfrentam dupla ou tripla jornada. Ela disse que é preciso avaliar os efeitos da mudança e ter atenção especial às microempresas, mas afirmou não acreditar em grandes impactos para grandes empresas.
Ao falar sobre a segurança nas rodovias federais do Paraná, Gleisi defendeu uma fiscalização mais eficiente e a revisão do Código de Trânsito. Ela citou a fiscalização por média de velocidade e disse que empresas também precisam ser responsabilizadas quando colocam excesso de carga nos caminhões.
Sobre o agronegócio, Gleisi foi questionada sobre a proposta que apresentou como deputada, que prevê proibir a exportação de animais vivos destinados ao abate e à engorda. A candidata defendeu a medida e afirmou que o Paraná deve exportar carne processada, em vez de animais vivos, para agregar valor à produção e gerar empregos no estado.
A respeito das chamadas "emendas Pix", mecanismo que permite a parlamentares destinar recursos diretamente para estados e municípios, criado a partir de um projeto de autoria de Gleisi, a candidata afirmou que não se arrepende de ter trabalhado pela criação da ferramenta. Ela disse que o mecanismo foi pensado inicialmente para obras menores e emergenciais, mas defendeu mudanças diante do crescimento das emendas parlamentares. Criticou ainda o volume atual de recursos destinados por meio delas.
Sobre o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, Gleisi afirmou que pretende manter medidas adotadas pelo Governo Federal, como a Operação Mulher Segura e o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores. Ela também defendeu reduzir para 24 horas o prazo para concessão de medidas protetivas.
Vídeos mais assistidos do g1 Paraná
Leia mais notícias no g1 Paraná