Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba; secretário diz que 95% das escolas seguem atendendo
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Profissionais da educação iniciam greve em Curitiba
Os profissionais da educação da rede municipal iniciaram uma greve na manhã desta quarta-feira (8), em Curitiba. Algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) tiveram as aulas suspensas.
Até a última atualização desta reportagem, 216 CMEIs aderiram à paralisação, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc).
O secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que cerca de 95% das unidades continuam atendendo alunos, mesmo com a paralisação, e disse esperar a normalização a partir de quinta-feira (9).
✅ Siga o g1 PR no WhatsApp
Segundo apurou a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o funcionamento é parcial em muitas unidades. Em alguns casos, professores aderiram à greve, e os que compareceram unificaram turmas para manter o atendimento.
"Desde que nós tivemos o anúncio de greve, trabalhamos num plano de mitigação. Tanto que hoje, uma parte deste funcionamento está sendo garantido com o pessoal aqui da secretaria e um pessoal dos núcleos, porque nossa prioridade é atender os alunos. [...] Temos que sentar, discutir, conversar e garantir que a população não tenha maiores prejuízos", falou o secretário.
Segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), a paralisação foi motivada por uma série de reivindicações da categoria. São elas:
Falta de profissionais nas escolas, com sobrecarga e adoecimento de professores;
Ausência de apoio para inclusão, com falta de profissionais especializados e turmas superlotadas;
Desorganização no início do ano letivo, com orientações improvisadas e aulas fora da área de formação dos docentes;
Problemas estruturais nas escolas, como obras inacabadas e uso de espaços improvisados
Falhas na instalação de ar-condicionado, com equipamentos que não funcionam ou oferecem riscos
Desvalorização profissional, com falta de reconhecimento para professores com especialização, mestrado e doutorado
No início da manhã, os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital, e partiram em caminhada em direção à prefeitura. Os profissionais da educação estavam em estado de greve desde novembro de 2025.
Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba
Reprodução/RPC
Decisão da Justiça
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou ilegal a paralisação. Em uma primeira liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira disse que a "greve é abusiva" e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, caso o movimento fosse iniciado, além do desconto dos salários dos servidores que aderirem.
A decisão indica que não houve esgotamento das negociações, nem garantia de percentual mínimo de servidores em atividade. Também aponta que o prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve não foi respeitado.
Uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não iniciasse a paralisação nem impedisse o acesso de servidores e usuários às unidades educacionais. O descumprimento prevê multa diária de R$ 20 mil.
O que diz o Sindicato
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a presidente do Sismmac, Diana de Abreu, afirmou que a paralisação está mantida.
“Ilegal é manter as condições de trabalho que são garantidas hoje na prefeitura, negar o direito da criança a ter uma educação de qualidade, ilegal é não garantir profissional de apoio para as crianças que precisam de inclusão. Ilegal é não cumprir as leis que garantem hora atividade e piso nacional para os professores", disse a Diana de Abreu, presidente do SISMMAC.
Leia também:
'Cãoroinha?': cachorro começa a frequentar missas e conquista padre, no Paraná
Confira datas e locais: Governo estadual leiloa 192 carros com lances a partir de R$ 525
'Debandada': 6 prefeitos do PL do PR oficializam saída do partido após filiação de Sergio Moro
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que as escolas e CMEIs devem manter atendimento normal. A administração afirmou que o diálogo com os sindicatos segue aberto e destacou a contratação de cerca de 1,2 mil profissionais para a rede.
Segundo a prefeitura, também houve avanços na carreira dos servidores, com progressões e atualizações salariais nos últimos anos, além de propostas para ampliar vagas de crescimento e melhorar percentuais de avanço.
'Na prática, isso significa muito mais vagas já neste processo de crescimento, ampliando de forma concreta as oportunidades para quem se inscreveu [...] A Prefeitura também apontou aumento nos percentuais de crescimento na carreira, melhoria no vale-alimentação e sinalizou que os próximos ciclos podem ser ainda maiores", afirma a nota.
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná
Leia mais notícias no g1 Paraná.
Veja mais notícias em g1 Paraná.