'Que seu testemunho nos desperte para a defesa da vida', diz amiga de freira assassinada após invasão de convento no Paraná
22/02/2026
(Foto: Reprodução) Freira de 82 anos é morta em pátio de convento, em Ivaí
Deonisia Diadio, colega de congregação da freira Nadia Gavanski, descreve a amiga como dedicada, focada na fé e profundamente piedosa. Gavanski, de 82 anos, foi encontrada morta no sábado (21) no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, após a invasão de um homem ao local.
Segundo a polícia, a religiosa flagrou o suspeito durante a invasão e foi atacada.
Deonisia afirma que espera que a morte da colega sirva de alerta para a proteção das mulheres. “Ela não merecia tamanha violência. Contudo, na fé, acreditamos que sua vida se tornou um sinal: uma entrega silenciosa que fala por tantas mulheres que sofrem agressão. Que seu testemunho nos desperte para a defesa da vida, da dignidade e do amor”, disse.
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Em entrevista ao g1, Diadio contou que a irmã Nadia ingressou na congregação em 1971, quando tinha 27 anos. Ela se dedicou à vida religiosa por 55 anos.
"Irmã Nadia entrou para a vida religiosa já com mais idade e, por isso, enfrentava dificuldades para acompanhar e compreender alguns conteúdos da formação. No entanto, sua perseverança comovia profundamente. Com humildade e confiança, dizia com simplicidade: 'Por favor, mestra, não me mande embora, que eu ainda vou aprender. Nossa Senhora vai me ajudar'. Essa frase revela bem sua alma: humilde, confiante e profundamente mariana", conta.
Diadio conta que Nadia sofreu um AVC, que afetou a fala, passando, depois disso, a falar pouco e com um tom de voz baixo. No entanto, por meio do olhar e das atitudes, continuava acolhendo as colegas.
"Um coração que não precisava de muitas palavras. Seu jeito sereno tocava quem se aproximava, através de gestos simples e de um sorriso acolhedor. Cuidava com amor das plantinhas, da horta e das pequenas coisas do dia a dia, revelando um coração atento e fiel", detalha.
Irmã Nadia Gavanski tinha 55 anos de dedicação à vida religiosa
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A colega descreve ainda que a oração ocupava um espaço central na vida da irmã Nadia, que era, muitas vezes, a primeira a chegar na capela. Além disso, destaca a coerência e disponibilidade da irmã, que era atenta às necessidades da comunidade e estava sempre disposta a ajudar.
Diariamente, após o almoço, irmã Nadia tinha o hábito de ir alimentar as galinhas do convento.
"Sua missão sempre se concretizou no serviço silencioso e humilde: o preparo das refeições, o cuidado com a horta, com as galinhas e com a rotina diária da casa. Tudo era feito com amor e fidelidade, transformando o ordinário em oblação agradável a Deus", descreve.
A cerimônia de despedida em homenagem à irmã Nadia Gavanski aconteceu neste domingo (22), em Prudentópolis. "Hoje choramos seu silêncio, mas cremos que Deus acolhe na eternidade esta religiosa que viveu com bondade e entrega. O céu recebe uma alma que soube amar no silêncio", conclui a amiga Deonisia Diadio.
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Homem invadiu o convento
O crime aconteceu perto das 13h30, depois que o homem pulou o muro do convento. Segundo o delegado Lucas Andraus, o suspeito foi flagrado pela freira, que questionou a presença dele no local. O homem então disse à irmã Nadia Gavanski que estava ali para trabalhar.
Percebendo que a freira não acreditou em sua explicação, o homem a empurrou. De acordo com a Polícia Civil, o preso relatou que asfixiou a vítima, já caída no chão, quando ela começou a gritar.
Em interrogatório, o investigado relatou ter passado a madrugada consumindo drogas e bebidas alcoólicas. Disse ainda que ouviu vozes que o ordenavam a matar alguém e que pulou o muro do convento já com a intenção de tirar a vida de uma pessoa, conforme a polícia. Ele negou a intenção de furtar bens no local.
O nome do investigado não foi divulgado pelas autoridades.
Testemunha filmou o suspeito
De acordo com a polícia, o investigado se afastou do corpo quando percebeu que a vítima estava desacordada.
Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após o crime. Ela contou à polícia que ele apresentava nervosismo, estava com as roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço.
Questionado, ele disse que estava trabalhando no local e que encontrou a freira caída.
Desconfiando da narrativa, a testemunha filmou, de forma discreta, parte da interação e pediu ajuda de outras pessoas que estavam no local para acionar a ambulância e a Polícia Militar. Nesse intervalo, o suspeito fugiu do local.
Com base nas filmagens realizadas pela testemunha, o suspeito foi identificado.
A corporação o encontrou em casa e, ao notar a aproximação da equipe policial, tentou fugir. Ele desferiu socos e chutes contra os agentes, que o contiveram. Questionado na abordagem, o suspeito admitiu a autoria do crime.
Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado. A polícia aponta indícios de qualificadoras como motivo fútil, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de resistência à prisão.
O homem tem antecedentes criminais por roubo e furto, segundo a Polícia Civil.
Freira Nadia Gavanski, de 82 anos, foi morta após homem invadir convento, no Paraná
Reprodução
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